sábado, 18 de abril de 2009

Artroplastia do Quadril


A Artroplastia é uma cirurgia que se caracteriza pela substituição das superfícies de articulações defeituosas por biomateriais, visando reestabelecer a função dessas articulações. É um método realizado com sucesso em quase todas articulações. No quadril as artroplastias são indicadas no tratamento das artroses dolorosas e das fraturas desviadas do colo do fêmur em idosos.


As primeiras próteses do quadril idealizadas foram confeccionadas com materiais que tinham pouca bio-compatibilidade. No entanto, as próteses atuais são feitas de materiais totalmente inertes. Os mais empregados são: as ligas metálicas de crômo-titânio, cobalto, aço inox, usadas na confecção de hastes e cabeças femorais; o polietileno, uma espécie de plástico muito resistente, usado em componentes acetabulares; a cerâmica, usada na fabricação de cabeças femorais e componentes acetabulares não cimentados; e o polimetilmetacrilato, tambem conhecido como cimento ortopédico, usado para a fixação desses componentes.

Existem tipos deferentes de artroplastia do quadril, cada uma com sua indicação própria. São elas: artroplastia resseccional de Gidrlestone, artroplastias parciais em que há a substituição apenas do lado femoral, as totais em que há a troca tanto do lado femoral quanto do acetabular e as artroplastias de resurfacing ou superfície.

Artroplastia Resseccional de Girdlestone

Esse tipo de artoplastia foi amplamente realizada em meados do século XVIII e popularizada por um cirurgião inglês chamado Gathorne Robert Girdlestone. Por isso o nome da cirurgia. Esta consiste na simples retirada da cabeça do fêmur e na época, essa técnica era usada para o tratamento de tuberculose da cabeça femoral.

Nos dias atuais a cirurgia ainda é realizada, mas tem indicações muito restritas. É indicada em casos nos quais os riscos de insucesso na colocação de uma prótese são muito elevados.
Apesar da falta da cabeça articulando com o acetábulo, com um acompanhamento fisioterápico adequado e treino de marcha, o paciente pode voltar a deambular e ter uma qualidade de vida de regular a boa.

Hemiartroplastia ou Artroplastia Parcial do Quadril

As artroplastias parciais são cirurgias em que há a substituição da apenas da superfície articular do fêmur por um componente protético, que ira se articular com o acetábulo normal do paciente. Essa cirurgia é indicada para o tratamento de fraturas do colo femoral desviadas, em pacientes idosos e com precárias condições de saúde. Existem basicamente dois tipos de próteses parciais, as monopolares e as bipolares. Há uma grande divergência entre os ortopedistas sobre qual desses modelos é melhor. No entanto, sabemos que são próteses cujas vantagens e desvantagens se equivalem e que ambas têm durabilidade muito inferior às artroplastias totais.

Ouro tipo de artroplastia parcial é a endoprótese. Essas próteses são indicadas para casos em que é necessária a substituição de grandes segmentos ósseos, como no caso de tumores que comprometam a parte superior do fêmur.

Artroplastia Total do Quadril (ATQ)

As artroplastias totais do quadril são cirurgias em que há a substituição das superfícies articulares do fêmur e do acetábulo por componentes protéticos, que irão se articular entre si. É uma das cirurgias com resultados mais satisfatórios da atualidade. É realizada por um acesso cirúrgico de aproximadamente 20 cm.

Os componentes femoral e acetabular podem ser fixados ao osso do paciente com de cimento ortopédico (prótese total cimentada); através da instalação sob pressão dos componentes, associado a um processo chamado osteointegração em que há um crescimento de osso para dentro do trabeculado metálico da prótese (prótese total não cimentada); e por uma associação dessas técnicas, onde normalmente, o componente femoral é cimentado e o acetabular é não cimentado (prótese total híbrida). São técnicas diferentes com vantagens e desvantagens peculiares a cada uma e são indicadas de acordo com a preferência do cirurgião.


As superfícies de contato entre os componentes do acetábulo e fêmur é motivo de grandes estudos, desde os primórdios da artroplastia. As mais utilizadas nos dias atuais são as de metal-polietileno, cerâmica-polietileno e cerâmica-cerâmica. Existe uma tendência mundial ao uso da cerâmica pois acredita-se que ela seja o material mais durável entre todos, entretanto, as próteses de cerâmica são novas e o tempo de seguimento desses pacientes é muito curto para podemos comprovar tal durabilidade. Já as próteses com superfície metal-polietileno tem um seguimento maior e, quando bem feitas, seguramente duram dez anos ou mais.
A durabilidade das próteses do quadril dependem de alguns fatores: A habilidade do cirurgião é o primeiro e o mais importante deles. Outro fator é o esforço a que essa prótese será submetida. Exercícios vigorosos e excesso de peso podem causar estresses no sistema, levando à soltura dos componentes. As ATQ's são cirurgias geralmente bem sucedidas e suas taxas de complicação são raras. Entre as principais complicações podemos citar as lesões neurológicas, que podem ocorrer durante o procedimento cirúrgico, além de alongamento ou encurtamento do membro operado, luxações da prótese, infecção e trombose venosa profunda nas pernas, que são complicações a curto ou médio prazo.
O desgaste é a principal complicação a longo prazo. O nosso organismo forma reações celulares às pequenas partículas que são liberadas pelo polietileno, pelas partículas de metal ou pelo próprio cimento ortopédico que foi usado para fixação. Todos esses produtos causam reação óssea chamada osteólise, que causa o afrouxamento e soltura da prótese.
Podemos afirmar, a respeito das ATQ's, que com a melhora dos intrumentais cirúrgicos e da tecnologia dos materiais, com advento de melhores superfícies de contato e melhor design do componentes; as próteses do quadril tendem a uma maior durabilidade. No entanto sabemos que essa evolução é contínua e é certo que ainda estamos longe de conseguir com que as próteses funcionem tão bem quanto um quadril normal e que tenham uma durabilidade tão boa.
Demais dúvidas a respeito dos cuidados que devem ser tomados no pré e pós operatório podem ser vistos no ­Manual de orientação e cuidados idealizado pelo Grupo de Cirurgia do Quadril da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

A artrose do quadril é uma doença que destrói gradativamente a articulação. Em alguns casos acomete indivíduos jovens onde a indicação da artroplastia total não é ideal (já que essas próteses têm durabilidade de dez anos, em média). Nesses casos, podemos utilizar a artroplastia de resurfacing. A idéia desse tipo de prótese é substituir apenas a(s) camada(s) de osso acometida(s) pela doença, substituindo-a(s) por superfície(s) articulare(s), ressecando a menor quantidade possível. Sua durabilidade é inferior a da prótese total, mas acredita-se que, como retiramos pouco osso na sua instalação, a sua conversão para prótese total seria mais fácil pois haveria menor perda óssea.

A idéia das artroplastias de superfície não é exatamente nova. Há mais de 100 anos já haviam relatos desse conceito, na época as próteses eram fabricadas com uma infinidade de materiais como marfim, ouro e plástico, mas nenhuma apresentou bons resultados. Atualmente essas próteses são feitas de metal.
O grande problema das próteses de supefície é que seus resultados não são tão satisfatórios assim. O componente femoral da prótese causa um enfraquecimento no colo femoral e o estresse dessa região pode culminar com fratura. Outro problema é que essa prótese é feita de componentes metálicos apenas e temos o contato metal-metal. Isso faz com que a fricção dessas superfícies liberem íons de metal no organismo, que são cancerígenos e podem causar toxicigênicidade.
SOT - FAMEMA