quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fibromialgia 3: Epidemiologia


Os estudos epidemiológicos para a determinação da prevalência da fibromialgia são escassos ( YUNUS et al., 1981, CAMPBELL et al., 1983, WOLFE, 1986 ), e até 1990 os dados eram conflitantes, devido às diferenças entre os padrões de referência de cada serviço, aos diferentes critérios diagnósticos utilizados, assim como às diferenças regionais entre as populações.

A freqüência da fibromialgia é de 1 a 5% na população em geral ( WOLFE & CATHEY, 1983; JACOBSSON, LINDGARDE, MANTHORPE, 1989 ). Considerando os pacientes atendidos em clínica médica, a freqüência da fibromialgia é em torno de 5% ( Campbell et al., 1983; Wolfe & Cathey, 1983 ) o que corresponde a 2.1% dos atendimentos do médico de família ( Hartz , & Kirchdoerfer, 1987 ) e a 7.5% dos pacientes hospitalizados ( Muller, 1987 ). Na clínica reumatológica, por sua vez, ela é detectada entre 14% ( WOLFE et al., 1990 ) e 20% ( Yunus et al., 1981 ) dos atendimentos.

Na literatura nacional destaca-se o trabalho de Bianchi, Messias e Gonçalves ( apud SEDA, 1982 ), que observaram a freqüência de "fibrosite" em 10.2% das populações do Rio de Janeiro e Porto Alegre. MARTINEZ et al., ( 1992 ), além de confirmarem estes achados, evidenciaram o impacto sócio-econômico da fibromialgia já descrito por outros autores ( Cathey et al., 1986 ).

A fibromialgia é mais freqüente no sexo feminino, sendo 73 e 88% dos casos descritos no sexo feminino. Em média, a idade do seu início varia entre 29 e 37 anos, sendo a idade de seu diagnóstico, entre 34 e 57 anos ( Yunus et al., 1981; Cathey et al., 1986; Muller, 1987; Wolfe et al., 1990 ). Segundo o estudo multicêntrico realizado por WOLFE et al., 1990, a média de idade por ocasião do diagnóstico foi de 49 anos, sendo 89% mulheres e 93% caucasianos.

Foi descrita uma tendência à agregação familiar, predominantemente para mulheres de uma mesma família, tendo sido proposto um padrão de herança autossômica dominante, com prevalência no sexo feminino ( PELLEGRINO, WAYLONIS, SOMMER, 1989 ).

Também foi proposta a associação da fibromialgia aos marcadores de histocompatibilidade ( YUNUS, RAWLINGS, KHAN, 1992 ). As manifestações na esfera dos distúrbios afetivos relacionadas com a fibromialgia também apresentam uma tendência à agregação familiar ( HUDSON & POPE, 1989 ), assim como o padrão alfa-delta do sono ( SCHEULER et al., 1990 ).

As manifestações da fibromialgia tendem a ter início insidioso na vida adulta, no entanto, 25% dos casos referem apresentar os sintomas dolorosos desde a infância ( YUNUS et al., 1981; WOLFE, 1986 ). De uma forma genérica, as manifestações musculoesqueléticas são muito comuns na infância. Correspondem a 7 % dos casos atendidos no ambulatório de pediatria geral, freqüência esta semelhante à verificada para as dores abdominais recorrentes e da cefaléia ( HUSSEIN, 1990; Goodman & Mc Grath, 1991 ).

Nos serviços de reumatologia pediátrica 26% dos casos atendidos referem dores musculares ( ROSEMBERG, 1990 ), sendo que o diagnóstico de fibromialgia é possível de ser feito em 55 a 88% das crianças que apresentam dores musculoesqueléticas difusas ( YUNUS & MASI, 1985; CALABRO 1986; Malleson, Al-Matar, Petty, 1992 ).

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