quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Síndrome do Piriforme


1. O QUADRIL

A junta do quadril consiste na articulação da cabeça do fêmur com a cavidade profunda do acetábulo em forma de cápsula do quadril. A sua construção permite uma mobilidade, não tão móvel como a articulação do ombro, e sua função de sustentação de peso torna-a mais estável. No entanto a função do quadril não é só sustentar e distribuir cargas, mas também facilitar o movimento do corpo através do espaço, de uma forma indolor, com movimentos controlados entre a coxa e o tronco. O padrão rítmico em que isso ocorre é necessário para a eficiência do movimento. A mobilidade e a estabilidade da articulação do quadril nos permite não apenas o movimento no espaço, mas também a confortável adaptação aos vários tipos de cadeiras, para a flexão necessária para as atividades diárias. Quando a articulação do quadril se torna rígida, ou causa algum grau de desconforto, diminui a sua mobilidade e estabilidade. Em função de que a articulação do quadril faz parte de uma cadeia cinética fechada, qualquer estresse anormal desta articulação será transmitido superiormente em direção ao tronco, inferiormente em direção ao joelho, tornozelo e pé. De fato, uma alteração no quadril pode ser responsável pelo surgimento de assimetrias e desconforto desde o pé até o pescoço.

2. A ANATOMIA DO QUADRIL

O quadril é formado basicamente das cristas ilíacas, do sacro, ísquios e fêmur, formando assim a cintura pélvica.

  • Tem como músculos que produzem a flexão:

. Psoas Maior;

. Ilíaco;

. Sartório;

. Reto Femoral; e

. Pectíneo.

  • Músculos que produzem adução:

. Grácil;

. Adutor Curto;

. Adutor Magno; e

. Adutor Longo.

  • Músculos que produzem abdução:

. Glúteo Médio;

. Tensor da Fáscia Lata; e

. Glúteo Mínimo.

  • Músculos que produzem extensão:

. Glúteo Máximo;

. Semitendinoso;

. Semimembranoso; e

. Bíceps Femoral (porção longa).

  • Músculos que produzem rotação externa:

. Piriforme;

. Quadrado Femoral;

. Obturador Interno;

. Obturador Externo;

. Gêmeo Superior; e

. Gêmeo Inferior.

  • Músculos que produzem rotação interna:

. Semitendinoso;

. Semimembranoso;

. Adutor Magno;

. Grácil;

. Glúteo Mínimo; e

. Glúteo Médio.

Os músculos envolvem completamente a cápsula do quadril e produzem movimento em três planos. Os flexores e extensores fornecem movimento no plano sagital, os adutores e abdutores, no plano frontal e os rotadores do quadril são responsáveis pelo movimento no plano transverso.

3. SÍNDROME DO PIRIFORME

A síndrome do piriforme é uma irritação do nervo ciático quando ele passa abaixo ou entre as fibras do músculo piriforme. Na maioria dos casos, o nervo ciático passa abaixo do músculo piriforme, mas em 15% da população o nervo passa pelo meio separando o músculo em duas partes.

A síndrome do piriforme ocorre mais freqüentemente em homens do que em mulheres, numa proporção de 6:1 e pode causar dor crônica. Pode também ocorrer como conseqüência de compressão do nervo ciático pela tensão do músculo piriforme.

Obs.: a dor ciática verdadeira, ou seja, o surto, inicia-se na coluna lombar e segue o trajeto do ciático, diferentemente da síndrome do piriforme.

a) Achados Clínicos:

O paciente com síndrome do piriforme se queixa de dor profunda e localizada na superfície posterior do quadril, perto da incisura ciática. Também pode haver dormência e formigamento em direção à perna, e uma lombalgia indicando o comprometimento do ciático. Um exame completo na região lombar e sacro-ilíaca afastam estes locais como causa da dor. Entretanto, deve-se ficar alerta para o fato de que o desequilíbrio pélvico pode ser responsável por um desequilíbrio entre os rotadores internos e externos.

Os achados mais significativos na determinação do acometimento do piriforme é a presença de dor tanto na rotação externa resistida quanto no estiramento passivo dos rotadores internos. Os rotadores externos profundos podem ser palpados com o paciente em decúbito prono em posição de rã. Assim percebe-se uma tensão e dor, conseqüentemente à palpação.

b) Tratamento:

Caso o nervo ciático esteja muito irritado ou inflamado, o tratamento inicial pode ser calor superficial, tens, iontoforese, laser, repouso e analgésico. Um leve estiramento pode ser realizado posteriormente em posição de decúbito lateral ou em posição sentada. Os exercícios de contrair-relaxar realizados em decúbito ventral também são efetivos no relaxamento do músculo piriforme (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva). Os estiramentos realizados pelo próprio paciente também são de grande importância ao tratamento. A massagem em fricção transversa profunda também é efetiva no tratamento da tensão do músculo piriforme.


FisioWeb


Resumo: Síndrome do piriforme é a irritação do nervo isquiático, quando ele passa abaixo ou entre as fibras do mïsuculo piriforme. Uma das causas que levam à síndrome é a variação anatômica entre esse nervo e músculo. Dor isquiática é dor que ocorre no trajeto do nervo isquiático. A causa mais comum no indivíduo adulto é compressão de uma das 5 raízes dele, por hérnia de disco intervertebral na região da coluna lombar. O objetivo deste estudo de revisão bibliográfica é analisar a relação anatômica do nervo isquiático com o músculo piriforme e comparar as sintomatologia entre síndrome do piriforme e dor isquiática, durante avaliação fisioterapêutica. Materiais e método: Levantamento bibliográfico, por meio de livros, artigos científicos e banco de dados especializados para a aquisição destes periódicos e sites de internet. Resultados: A variação anatômica mais comum é o nervo fibular comum perfurar o músculo piriforme e o nervo tibial passar inferiormente ao músculo piriforme. Os sintomas da síndrome do piriforme são dor profunda no quadril e nádega, irradiada para o membro inferior afetado, acentuando-se ao deitar -se. Os sintomas da dor isquiática são dor superficial e localizada na região lombar e/ou na nádega, irradiada para o membro inferior afetado, com distribuição do dermátomo. Essa dor melhora quando o indivíduo permanece deitado. Considerações finais: Variações anatômicas do nervo isquiático com o músculo piriforme contribuem para síndrome do piriforme. O teste de AIF (adução, rotação interna e flexão do quadril) será positivo para a síndrome do piriforme, durante a avaliação fisioterapêuticas.